Capital Brasileira de Sailfish

texto e fotos por Andy Hahn

Rio de Janeiro, a famosa cidade maravilhosa. Conhecida mundo afora pelas praias, hotéis de luxo, Garota de Ipanema, bailes de Carnaval... Esqueçam tudo isso. Quente mesmo é o que acontece umas 30 milhas mar adentro, entre outubro e janeiro, quando as correntezas trazem os peixes-de-bico para o alcance dos pescadores esportivos cariocas.


Sailfish

FOTOS POR: ANDY HAHN

Os marlins azuis e brancos aparecem com freqüencia, mas o sailfish é o verdadeiro rei do mar azul no Rio. E quanto à pescaria? Num dia bom é possível levantar 20 sailfish; muitos pescadores reclamam de uma péssima pescaria se fisgam "apenas" quatro ou cinco desses narigudos. Estes peixes têm tamanho razoável, a média fica em torno de 25 quilos. Os bicos são abundantes, mas os cariocas têm que trabalhar para pegá-los.

A pescaria começa às 6 h com um rápido tour pelas atrações da cidade enquanto a lancha sai das docas do Iate Clube do Rio de Janeiro (ICRJ) e segue em direção à boca da Baía de Guanabara. O ICRJ está situado aos pés de Pão de Açucar, e olhando para trás, se vê o Cristo, de braços abertos, lá em cima do Corcovado. A praia de Copacabana pode ser vista depois de passar pelo Forte São João, mas a paisagem à beira mar é logo deixada para trás. Os peixes-de-bico se concentram nas águas azuis, entre 30 e 50 milhas da costa, e demora pelo menos duas horas até se poder colocar as linhas na água. Dependendo da posição exata dos peixes, pode até já estar escuro quando se chegar de volta às docas depois de um dia de corrico no alto mar.

Os cariocas são mais ou menos inflexíveis em termos de equipamento e técnicas para pescar sailfish. Isca viva? Nem pensar. Todo mundo tem um freezer estocado de farnangaio, capturado meses antes da temporada, pois este peixinho fica difícil de achar no verão. O procedimento padrão é o seguinte: colocar dois cabos com teasers atrás da popa e armar quatro linhas, de 20 libras, iscadas com farnangaios para nadar na superfície. Aí é só corricar a uma velocidade de 5 a 7 nós. Os sailfish atacam as iscas com muita vontade, então por que mudar o esquema?


Atum armarelo

FOTO POR: ANDY HAHN

Outros peixes pelágicos também gostam dos farnangaios. Várias espécies de atum, como o amarelo, o preto e o bigeye, e dorado, wahoo e bonito dão muito trabalho aos pescadores. Alguns dos recordes do ICRJ são: Marlin Azul - 422 kg; Marlin Branco - 78,8 kg; Sailfish - 51,2 kg; Atum Amarelo - 76,4 kg; Wahoo - 46,6 kg; Dorado - 34,2 kg.

TORNEIOS NO RIO

A maioria dos pescadores oceânicos cariocas pescam em suas próprias lanchas - não há lanchas de aluguel no Rio. Eles competem nos numerosos torneios promovidos pelo ICRJ. Quando eles não estão participando dos torneios, estão treinando para os torneios, estao treinando para os torneios.


O evento mais importante é o Torneio Anual de Peixes De Bico, simplesmente conhecido como o "Torneio de Sailfish", em que cinco etapas são disputadas nos meses de dezembro e janeiro. As equipes são compostas de quatro pescadores e todo o equipamento tem que seguir os padrões da IGFA. É proibido o uso de linha de resistência acima de 20 libras. Aproximadamente 40 lanchas participam dessas competições, capturando mais de 500 sailfish nas cinco etapas. Infelizmente este é um torneio de embarcação, em que os peixes são mortos. A diretoria do clube informa que está estudando a possibilidade de adotar torneios de release, mas vai demorar antes de se tornar uma realidade. Muitos pescadores defendem seu "direito" de matar todos os peixes que capturam. O engraçado é que estes mesmos pescadores reclamam que os sailfish estão ficando cada vez mais escassos, e colocam toda a culpa nos navios atuneiros (longliners). Existe esperança para o futuro. Outros pescadores não querem ser obrigados a matar sailfish só para poderem disputar um campeonato, e estão falando em boicotar os torneios. O torneio mais alegre é o Elas & Elas, o torneio feminino do ICRJ. Equipes de pescadoras participam deste campeonato de etapa única, em que os bicos podem ser liberados. Este evento parece mais uma festa flutuante do que um torneio porque, em geral, as mulheres têm pouca experiência na pesca. Mesmo assim, elas pegam muito piexe. Para se ter uma idéia, Lavínia Ferraiolo se sagrou campeã de 1993 depois de soltar um marlin azul de 150 kg.

POUCOS BARCOS DE ALUGUEL

Apesar da pescaria fantástica e da proximidade à uma das maiores cidades da América do Sul, não se acha barcos profissionais de aluguel no Rio. Por que? As razões são várias. Primeiro, a temporada dura apenas três meses e seria impossível ganhar a vida nisso. Segundo, os custos são altíssimos. Os equipamentos são importados e o combustível é caro. Algumas pessoas estão dispostas a alugar suas lanchas particulares. O problema é que estes pescadores disputam os campeonatos -- eles não alugam a lancha na véspera, no dia do torneio, nem no dia seguinte. Isto significa que as lanchas não estão disponíveis nos fins de semana durante a alta temporada. Alguns comandantes estão voltando à idéia de que se pesca para se divertir, então suas lanchas estão mais disponíveis. O preço por um dia de corrico no alto mar varia de US$ 900 a $ 1,700, dependendo do tamanho da lancha, que pode ser de 28 a 45 pés.

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